Internet das Coisas? Não se Trata de Coisas, Trata-se de Serviços

A Internet das Coisas (IoT) está impactando os modelos de negócios e experiências do consumidor hoje.

Vamos verificar, a seguir, as estatísticas convincentes sobre como os serviços de IoT estão mudando nosso mundo – do meteórico aumento de carros conectados a aumentos dramáticos na eficiência operacional e na satisfação do cliente. É uma realidade tecnológica sem volta e precisamos estar preparados para utilizar e aproveitar as oportunidades deste novo “boom”.

Conforme a IHS Quarterly, o número de dispositivos conectados em 2025 deve chegar a 50 bilhões.

 

Figura 1 – Numero de Dispositivos Conectados
(Fonte: IHS Quarterly, Q1 2014, The Internet of Things Explodes)

 

Quer motivos para pensar, implementar e estudar IoT?

89% dos novos carros vendidos em todo o mundo terão conectividade incorporada até 2024 segundo a Analysis Mason, 78% dos proprietários de carros conectados exigirão serviços conectados em seu próximo veículo segundo a Parks Associates, 95% dos CxOs entrevistados dizem que planejam lançar um negócio de IoT dentro de 3 anos segundo a The Economist.

Os setores não consumidores representarão 35% dos dispositivos habilitados para Internet em 2025 segundo a IHS Quarterly . 87% dos fabricantes pesquisados ainda não aproveitaram o IoT para transformar suas instalações segundo a  American Society for Quality (ASQ).

Entre os 13% de fabricantes que implementaram soluções IoT, segundo a PRWeb.com:

  • 82% apresentaram maior eficiência;
  • 49% apresentaram menos defeitos;
  • 45% com maior satisfação do cliente.

O mercado global para soluções IoT deve crescer de US$ 1,9 trilhão em 2013 para US$ 7,1 trilhões em 2020.

 

Figura 2 – Crescimento do IoT

 

Os produtos continuarão a existir, mas apenas como portais em valiosas ofertas de serviços. Mais empresas lançarão novos serviços conectados para se diferenciar e se envolver com os clientes.

Vamos, por exemplo, explorar as oportunidades das cidades inteligentes ou Smart Cities, uma vez que estão ganhando cada vez mais espaço.

Cidades Inteligentes: 6 Tecnologias Essenciais

Cidades inteligentes são cidades conectadas que trabalham em conjunto com a Internet das Coisas utilizando sensores para coletar informações, e sistemas de comunicação e controle para proporcionar serviços cada vez melhores.

Cidades inteligentes já não são uma onda do futuro. Elas estão aqui, agora e crescendo rapidamente com a Internet das Coisas, uma vez que se expande desde os municípios até o limite global.

A indústria da cidade inteligente é projetada para ser um mercado de US$ 400 bilhões em 2020, com 600 cidades deste tipo em todo o mundo. Estas cidades devem gerar 60% do PIB do mundo em 2025, segundo a pesquisa da McKinsey, publicado no TechRepublic.

Embora existam muitas definições de uma cidade inteligente, em geral uma cidade inteligente utiliza sensores da Internet das Coisas, atuadores e tecnologia para conectar estes componentes, impactando em todas as camadas de uma cidade. Os dados são analisados, segmentados e os padrões são derivados a partir dos dados recolhidos para tomada de decisão com benefício para seus cidadãos e economia de recursos.

Existem 6 principais tecnologias inteligentes para serem implementadas em uma cidade. Aqui estão:

1. Energia Inteligente

Edifícios industriais, comerciais e residenciais em cidades inteligentes são mais eficientes, usam menos energia, água, gás etc., uma vez que as utilizações de recursos são analisadas, tratadas em função de dados recolhidos para tomada de decisões em sistemas supervisórios. As redes inteligentes são parte do desenvolvimento de uma cidade inteligente.

2. Transporte Inteligente

Uma cidade inteligente suporta o transporte multimodal, semáforos inteligentes e estacionamentos inteligentes.

É tudo que se pode ser feito em torno de transporte, como monitoramento de tráfego, estacionamentos, controles semafóricos com passageiros, automóveis, trens, metrô e ônibus conectados. Esta é uma área onde as cidades estão vendo um retorno muito rápido do investimento. Ela não só reduz o custo, como também ajudam na monitorização de estacionamento para reduzir o congestionamento.

Ao fazer estacionamentos mais inteligentes, as pessoas gastam menos tempo à procura de lugares para estacionar circulando em blocos da cidade (pode-se fazer um paralelo no estacionamento dos shoppings que mostram o total de vagas e a sinalização de vagas livres e ocupadas). Semáforos inteligentes que tenham fluxo de tráfego com câmeras monitorando os sinais de trânsito.

Na Austrália, semáforos são priorizados com base nos horários dos ônibus, fazendo com que o tráfego flua mais livremente.

Estes sistemas estão utilizando sensores para coletar dados sobre a circulação de pessoas, todas as formas de veículos, e bicicletas. Uma cidade inteligente é aquela que reduz o tráfego de veículos e permite que pessoas e bens possam ser movidos facilmente através de diversos meios.

3. Dados Inteligentes

As enormes quantidades de dados coletados por uma cidade inteligente devem ser analisadas a fim de fazer rapidamente o que é útil. Portais de dados abertos são uma opção nestas cidades, para usar em uma análise preditiva e avaliar os padrões futuros. Hoje existem, como exemplo, empresas que estão trabalhando para efetuar análise de dados em um programa conhecido como STIR – http://startupinresidence.org/,  para a cidade de San Francisco.

“A penetração da tecnologia e a expansão das políticas de dados abertos está prestes a desencadear um motor de crescimento econômico para a inovação urbana que nós nunca vimos. Estamos passando de análise de dados que existe dentro de uma Prefeitura, para a geração de novos dados a partir de sensores que são implantados para uso pelas cidades em vários departamentos e pessoas para uso múltiplo “, disse John Gordon, Diretor Digital da GE.

Mesmo os dados recolhidos pelos sistemas em postes da iluminação pública podem ser usados em benefício dos cidadãos. Escondido dentro dos volumes exponenciais de dados coletados de sistemas de iluminação conectados e outros dispositivos da Internet das Coisas, são valiosos insights e informações acerca de como os cidadãos interagem com as cidades. Por exemplo, os dados de tráfego captados por postes podem descobrir um local privilegiado para um novo restaurante em um bairro revitalizado. A análise preditiva ajuda a filtrar e traduzir os dados em informações acionáveis ​​relevantes e que torna a vida da cidade melhor, mais fácil e mais produtiva.

4. Infraestrutura Inteligente

Cidades planejarão melhor em função da grande quantidade de dados. Isto irá permitir a manutenção proativa e um melhor planejamento para a demanda futura. Por exemplo, ser capaz de testar o teor de chumbo na água em tempo real pode prevenir problemas de saúde pública. Ter um sistema que monitora os níveis dos rios que cortam a cidade pode prevenir e avisar os moradores de determinados bairros sobre enchentes e definir metas de solução destes problemas.

Ter uma infraestrutura inteligente significa que uma cidade pode avançar com outras tecnologias e utilizar os dados coletados para efetuar alterações significativas nos planos para o futuro da cidade.

5. Mobilidade Inteligente

Mobilidade refere-se aos dados que viajam através da tecnologia. A capacidade de se mover facilmente dentro e fora de muitos sistemas diferentes da cidade é essencial para cumprir a promessa de cidades inteligentes. Para construir a cidade inteligente é necessária uma tecnologia interoperável, uma vez que é necessário apresentar dados de forma irrestrita, com a devida atenção para a propriedade intelectual, a segurança, bem como as preocupações com a privacidade. Políticas públicas e tecnologia jurídica devem ser o estado da arte.

6. Dispositivos Inteligentes da Internet das Coisas

E, finalmente, um dos componentes-chave que “amarra” tudo em uma cidade inteligente é a existência dos dispositivos da Internet das Coisas.

Quer queiramos ou não, sensores e atuadores em nossas cidades estão aqui para ficar. Combinando informações do sensor em nossa vida diária e integrando tudo isso com redes de comunicação de dados para tomadas inteligentes de decisão.

“Sensores são essenciais em uma cidade inteligente”, disse Scott Allen, CMO da FreeWave Technologies.

Em artigos futuros estaremos apresentando algumas arquiteturas pensadas para este novo e atual mundo.

 

Bibliografia:

http://www.techrepublic.com/

http://www.cisco.com/c/en/us/solutions/internet-of-things/overview.html

O Protocolo LoRa®

O que é o LoRa®?

É uma plataforma wireless de longo alcance e de baixa potência que está sendo utilizada como uma opção predominante para a construção de redes IoT em todo o mundo.

A IoT melhora a maneira como interagimos e lidamos com alguns dos maiores desafios enfrentados pelas cidades e comunidades como: mudanças climáticas, controle da poluição, alerta precoce de desastres naturais e salvamento de vidas, entre diversas outras aplicações. As empresas também estão se beneficiando por meio de melhorias nas operações e eficiências, bem como por meio de redução de custos.

Esta tecnologia de RF sem fio está sendo integrada em carros, iluminação de ruas, equipamentos de fabricação, eletrodomésticos, dispositivos portáteis, para falar a verdade, qualquer coisa pode servir de inspiração tecnológica e a LoRa Technology está tornando o nosso mundo muito mais inteligente.

A figura 1 apresenta a pilha de protocolo do LoRa que tem, na camada física, a banda de ISM e uma camada de enlace chamada de LoRaWAN MAC.

 

Figura 1 – Pilha do Protocolo Lora

 

Normalmente, as redes LoRaWAN são dispostas em uma topologia tipo estrela-de-estrelas na qual os gateways retransmitem mensagens entre os dispositivos finais e um servidor de rede central, e o servidor de rede roteia os pacotes de cada dispositivo da rede para o servidor de aplicação associado.

Para proteger as transmissões de rádio, o protocolo LoRaWAN conta com criptografia simétrica usando chaves de sessão derivadas das chaves raiz do dispositivo e, no back-end, o armazenamento das chaves-raiz do dispositivo e as operações de derivação de chave associadas são seguradas por um servidor de associação, conforme apresentado na figura 2.

 

Figura 2 – Diagrama de Interconexão dos Elementos de Rede

 

Protocolo LoRaWAN

LoRaWAN é a especificação de um protocolo construído sobre a tecnologia LoRa e desenvolvido pela LoRa Alliance. Utiliza o espectro de rádio não licenciado nas bandas Industrial, Científica e Médica (ISM) para permitir a comunicação de área ampla e baixa energia entre sensores remotos e gateways conectados à rede. Essa abordagem baseada em padrões para a criação de um LPWAN permite a rápida configuração de redes de IoT públicas ou privadas em qualquer lugar usando hardware e software bi-direcionalmente seguros, interoperáveis e móveis, fornecendo uma localização precisa com um funcionamento com o mínimo de erros de transmissão. A especificação, para aqueles mais vorazes por tecnologia, está totalmente disponível gratuitamente para download no site da LoRa Alliance.

Principais recursos da tecnologia LoRa e do protocolo LoRaWAN:

  • GEOLOCALIZAÇÃO
    • Permite aplicações de rastreamento de baixa potência sem GPS.
  • BAIXO CUSTO
    • Reduz custos de três maneiras: investimento em infraestrutura, despesas operacionais e sensores de nós finais.
  • PADRONIZADO
    • Interoperabilidade global aprimorada acelera a adoção e implantação de redes baseadas em LoRaWAN e aplicativos IoT.
  • BAIXA POTÊNCIA
    • Protocolo projetado especificamente para baixo consumo de energia, prolongando a vida útil da bateria em até 20 anos.
  • LONGO ALCANCE
    • Estação base única oferece penetração profunda em regiões densas urbanas/internas, além de conectar áreas rurais em até 50 quilômetros de distância.
  • SEGURO
    • Encriptação AES128 end-to-end integrada.
  • ALTA CAPACIDADE
    • Suporta milhões de mensagens por estação base, ou seja, ideal para operadores de redes públicas que atendem a muitos clientes.

Esta especificação trata o servidor da rede e o servidor de aplicação como se estivessem sempre co-localizados. Hospedar essas funcionalidades em vários nós de rede separados está fora do escopo desta especificação, mas é coberto por [BACKEND].

Os gateways são conectados ao servidor de rede por meio de conexões IP padrão seguras, enquanto os dispositivos finais usam a comunicação LoRa® ou FSK de salto único para um ou vários gateways. Toda comunicação é geralmente bidirecional, embora se espere que a comunicação de uplink de um dispositivo final para o servidor de rede seja o tráfego predominante. A comunicação entre dispositivos finais e gateways está espalhada em diferentes canais de frequência e taxas de dados e a seleção da taxa de dados é um trade-off entre a faixa de comunicação e a duração da mensagem, uma vez que as comunicações com diferentes taxas de dados não interferem entre si.

As taxas de dados do LoRa variam de 0,3 kbps a 50 kbps para maximizar a vida útil da bateria dos dispositivos finais e da capacidade geral da rede, uma vez que a infraestrutura de rede LoRa pode gerenciar a taxa de dados e a saída de RF para cada dispositivo final individualmente por meio de um esquema de taxa de dados adaptável (ADR). Os dispositivos finais podem transmitir em qualquer canal disponível a qualquer momento, usando qualquer taxa de dados disponível, desde que as seguintes regras sejam respeitadas:

  • O dispositivo final muda de canal de maneira pseudo-aleatória para cada transmissão. A diversidade de frequência resultante torna o sistema mais robusto a interferências.
  • O dispositivo final respeita o ciclo máximo de transmissão em relação à sub-banda usada e aos regulamentos locais.
  • O dispositivo final respeita a duração máxima de transmissão (ou tempo de permanência) em relação à sub-banda usada e aos regulamentos locais.

Nota: O ciclo máximo de transmissão e o tempo de permanência por sub-banda são específicos da região e são definidos em [PHY].

O protocolo LoRa ainda divide os dispositivos em 3 classes:

I. Dispositivos finais bidirecionais (Classe A)

Os dispositivos da Classe A permitem comunicações bidirecionais, em que a transmissão de uplink de cada dispositivo final é seguida por duas janelas curtas de recebimento de downlink. O slot de transmissão programado pelo dispositivo final é baseado em suas próprias necessidades de comunicação com uma pequena variação e baseada em uma base de tempo aleatório (tipo de protocolo ALOHA – precursor do Ethernet). Essa operação de Classe A é o sistema de dispositivo final com menor consumo de energia para aplicativos que exigem apenas comunicação de downlink do servidor logo após o dispositivo final ter enviado uma transmissão de uplink. Comunicações de downlink do servidor em qualquer outro momento terão que esperar até o próximo uplink agendado.

II. Dispositivos finais bidirecionais com slots de recepção programados (Classe B)

Os dispositivos da Classe B permitem mais slots de recepção, além das janelas de recebimento aleatório de Classe A, ou seja, os dispositivos de Classe B abrem janelas de recebimento extra em horários programados. Para que o dispositivo final abra sua janela de recebimento no horário agendado, ele recebe um sinalizador sincronizado de hora do gateway.

III. Dispositivos finais bidirecionais com slots de recepção máximos (Classe C)

Os dispositivos finais da Classe C têm quase continuamente abertas as janelas de recepção, fechadas somente durante a transmissão. O dispositivo Classe C usará mais energia para operar do que a Classe A ou Classe B, mas ele oferece a menor latência para a comunicação do servidor com o dispositivo final.

Conclusão:

A tecnologia LoRa oferece uma combinação muito atraente de longo alcance, baixo consumo de energia e transmissão segura de dados, uma vez que as redes públicas e privadas que usam essa tecnologia podem oferecer uma cobertura com alcance maior em comparação com as redes celulares existentes. É fácil conectar-se à infraestrutura existente e oferece uma solução para atender a aplicativos IoT operados por bateria, onde os chipsets são  incorporados aos produtos oferecidos por uma vasta quantidade de fabricantes que já utilizam este protocolo para redes de sensores no mundo da Internet das Coisas (IoT) e integrados aos LPWANs de operadoras de redes móveis em todo o mundo.

O futuro já está batendo na nossa porta.

 

Bibliografia

https://lora-alliance.org/

https://www.semtech.com/technology/lora/what-is-lora

Demonstração Energy Cloud

Com a solução Energy Cloud em automação predial é possível ter comunicação com múltiplos equipamentos e protocolos, proporcionando grande flexibilidade na integração com instalações físicas novas ou já existentes.

Como mostrado no Webinar Energy Cloud – Inteligência Predial, a interface é flexível e organizada numa plataforma em nuvem. As medições são efetuadas e mostradas em tempo real, com visualização de gráficos e informação de consumo. Permite automatizar rotinas por meio de regras e definir situações para o sistema enviar alerta por SMS ou e-mail.

Para conhecer um pouco mais, acesse a demonstração em:

http://demo.energypro.io/

Login: worlddemo
Password: demo

Para implantar a solução Energy Cloud em seu prédio ou condomínio de forma eficiente, de modo a evitar o desperdício de recursos e gerar economia, entre em contato com a Wire Engenharia!

Webinar Energy Cloud – Inteligência Predial

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Veja a gravação do webinar onde é apresentada a solução Energy Cloud, uma espécie de sistema de gerenciamento predial na nuvem:

Webinar Energy Cloud – Inteligência Predial

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O IP no Mundo da Automação Predial e o RS-485

Temos acompanhando a tecnologia de IoT (Internet das Coisas) e o seu desenvolvimento, mas ainda existem diversos passos para percorrermos até que as tecnologias de comunicação fiquem totalmente IP ou que todas as redes convirjam para a arquitetura IP no que chamamos de redes convergentes. Infelizmente não podemos mudar tudo do dia para a noite, uma vez que envolve não só custos de hardware, mas também horas e horas de trabalho com softwares.

Por que insistimos no “mundo” IP? Porque tem alta capilaridade, chega em qualquer lugar do mundo, é barato, funciona muito bem, pode-se implementar funções de QoS (Qualidade de Serviço), permite altas taxas que podem chegar comercialmente, a Tbps, além de ser uma arquitetura leve e relativamente simples.

Um dos pontos que estaremos discutindo neste artigo, trata dos prédios inteligentes ou automação predial, que vem ao encontro da ideia do IoT, considerando que um prédio pode ser um ponto controlado não só internamente, mas também ser acessível via rede pública IP, que utiliza na maioria dos casos, localmente, o protocolo TIA/EIA 485 na camada física e nas camadas superiores, conforme figura 1, protocolos como o Modbus, BACnet, entre outros.

A norma que especifica o padrão RS-485, no entanto, não especifica o formato nem a sequência de caracteres para a transmissão e recepção de dados. Neste sentido, além da interface, é necessário identificar também o protocolo utilizado para comunicação.

A rede BACnet MS/TP define a troca de mensagens BACnet utilizando o padrão RS-485 como meio físico.

O BACnet e Modbus utilizam o protocolo RS-485 (TIA/EIA-485-A) no modo half-duplex com uma sinalização em 9600, 19200, 38400 e 76.800 baud, em distâncias curtas (<100 pés ou 30 metros).

Uma rede RS-485 pode também utilizar dois pares trançados, operando no modo full-duplex especificando um comprimento máximo de 1200 metros para os cabos de comunicação.

Também é possível, utilizando uma infraestrutura baseada em Ethernet local, que pode ser mais acessível converter para BACnet MS/TP ou Modbus RTU sobre RS-485 e este para TCP/IP BACnet ou Modbus TCP/IP sobre Ethernet.

Pronto, já temos o “mundo” IP entrando no mundo da automação predial com muito sucesso.

O BACnet  foi criado pela Sociedade Americana de Aquecimento, Refrigeração e Ar Condicionado (ASHRAE), onde começou a ser desenvolvido a partir de uma discussão pública no ano de 1987, sendo declarado como um “standard” no mercado em 1995 e, desde então, tem sido apoiado e mantido pela ASHRAE.

BACnet significa Building Automation and Control Networks, que é um meio de integração de sistemas gestão de edifícios com um conjunto de regras para criação de redes interoperáveis, ou seja, é um padrão aceito no mercado interno (ASHRAE/ANSI 135-2004), na Europa (CEN TC 247), e no mundo (ISO 16484-5).

O padrão BACnet, figura 1, define seis tipos de redes de comunicação para transporte de mensagens BACnet. O tipo de rede define a camada física e de enlace. Os seis tipos de redes são:

  • BACnet ARCnet;
  • BACnet Ethernet;
  • BACnet Lontalk;
  • BACnet MS/TP;
  • BACnet Point-to-Point;
  • BACnet IP.
Figura 1 – Arquitetura do protocolo BACnet

 

Vamos discutir o Protocolo BACnet utilizando o padrão RS-485 para as camadas física e de enlace, denominado BACnet MS/TP (Mestre Escravo/Token Passing). As estações BACnet MS/TP podem ser divididas em dois grupos, estações mestre e estações escravas, conforme a faixa de endereço da estação.

A Estrutura das Mensagens no BACnet MS/TP define que o frame pode ter de 0 a 501 bytes (octetos) e cada byte é composto por 8 bits sem paridade com start e stop bit, conforme ilustra a figura 2.

 

Figura 2 – Estrutura do byte

 

Recepção (RX): O tempo máximo entre cada byte (Tframegap) é de 20 bit times. E o tempo mínimo entre frames (Tturnaround) após o stop bit do último byte do frame é 40 bit times, conforme figura 3.

Transmissão (TX): o sinal RTS deve ser desabilitado após (Tpostdrive) 15 bit times depois do envio do stop bit.

 

Figura 3 – Recepção dos dados BACnet

 

O frame de dados BACnet é formado por um cabeçalho (header) e os dados, como ilustra a figura 4.

 

Figura 4 – Frame BACnet

 

Enquanto a velocidade for relativamente baixa e as distâncias relativamente curtas, a influência da topologia da rede em seu desempenho não é significativa. Contudo, quando os efeitos de linhas de transmissão começam a aparecer, há apenas uma topologia simples que permite gerenciar estes efeitos. A figura 5 mostra alguns tipos de topologias. Apenas no tipo “daisy chain”, onde todos os dispositivos são conectados diretamente aos condutores da linha de comunicação principal, controla as reflexões causadoras de erros de comunicação.

 

Figura 5 – Topologia da rede de automação predial baseada em BACnet

 

Isso não significa que não se possa implementar uma rede com outra topologia. Entretanto, na prática, controlar as reflexões em uma rede tipo estrela (por exemplo) é algo um pouco complexo.

Como a automação predial está caminhando para o IP?

Uma rede local, LAN, seja com ou sem fio, permite a ligação em estrela com interconexão por meio de switches posicionados em locais cuja distância não ultrapasse os 90 metros (considerando o padrão de cabeamento estruturado com Categoria 5e, 6 ou 7) ou via fibra óptica, dependendo da taxa, a distâncias que podem chegar a 2 ou mais quilômetros em fibra multimodo.

Os módulos de automação parecem seguir, até um certo ponto, para uma rede baseada em Ethernet com switch ao invés do tradicional sistema em barramento e ficar totalmente compatível com o Ethernet/IP, conforme figura 6.

 

Figura 6 – Rede IP interconectando com uma rede RS-485

 

Mas ainda existem diversos questionamento das empresas que trabalham com automação no sentido da facilidade do uso, endereçamento, economia e ligação das redes em barramento utilizadas hoje ou, em alguns casos, novos módulos que já permitem interface IP/Ethernet conforme a figura 7, ligando por meio de gateways, redes baseadas em RS-485.

 

Figura 7 – Web Services usados para integrar BAS

 

Os Web Services (Serviços Web) tornaram-se rapidamente o padrão para comunicações B2B, desta forma, é natural se perguntar se vão substituir BACnet, LonWorks, ou outros protocolos dentro dos BAS. Isso não é provável, por várias razões que comentaremos a seguir.

Para começar, ninguém desenvolveu um conjunto de serviços da Web que abrange todas as funções necessárias para um barramento como o caso da topologia Daisy Chain, mais utilizada em automação, além do formato de transmissões, alarmes, sincronização de tempo, backup e restauração. Há uma série de funções do BAS que simplesmente não são cobertos no padrão de serviços Web proposto até agora. Certamente tal padrão poderia ser desenvolvido, mas seria em essência mais um protocolo para a aceitação no mercado. Deveria ser um protocolo adequado para um BAS porque os serviços da Web exigem mais “overhead” do que a maioria dos controladores BAS pode proporcionar. Vale lembrar que os serviços da Web usam XML para se comunicar através de uma rede IP como forma para empacotar dados. Estas características também significam que é necessário ser processado por um computador poderoso e transmitidos através de uma rede de alta velocidade. Isto está além das capacidades dos controladores que normalmente são utilizados em equipamentos de automação. Esta pode ser uma limitação temporária uma vez que novos microprocessadores ganham potência e velocidade a cada ano e, principalmente porque já existem protocolos como o BACnet que desenvolveram formas mais eficientes de integração de controladores e estão abertos para utilização por qualquer equipamento ou fabricante uma vez que há muito pouco incentivo para mudar esses controladores para serviços na Web.

Os computadores e as redes têm “potência” para lidar com serviços da Web e provavelmente haverá certa quantidade vinculações, se não for a programação personalizada, necessários para fazer as ligações, mas as características do XML simplificam a tarefa do programador. As chances são de que o programador já esteja familiarizado com os serviços da Web de integrações B2B anteriores, o que simplifica ainda mais o trabalho. A adição de um novo padrão ASHRAE para os serviços da Web promete ainda uma maior simplificação, usando a tecnologia IP e da fundação da BACnet para colocar um edifício no mundo da automação baseado em IP.

Conclusão:

Sistemas de automação baseados em IP estão ganhando impulso, graças aos vários fatores que contribuem com a penetração da Internet nos dispositivos computacionais cada vez mais baratos e suas respectivas plataformas. A tecnologia da informação é uma poderosa ferramenta e as empresas podem efetivamente explorar a infraestrutura existente para integrar sistemas de automação, permitindo o acesso remoto, gerenciamento e controle distribuído.

Por outro lado, a tecnologia IP de próxima geração, o IPv6, permitirá um endereço IP disponível para praticamente todos os elementos de rede, uma vez que o número de dispositivos, aplicações e serviços baseados em tecnologias IP está crescendo exponencialmente, tornando imperativo ter endereços IP suficientes para atender a esta nova demanda.

Relativo ao tipo e os requisitos de aplicação, a construção de softwares ou equipamentos proprietários podem explorar as tecnologias de flexibilidade do IP para realizar a interoperabilidade e convergência. Nota-se que existem muitas vantagens em optar por tecnologias IP, observando o bom uso da infraestrutura de rede. Verifica-se que na maioria dos casos, os utilizadores destas tecnológicas tem muito a contribuir e, portanto, seu conhecimento e perspectiva em relação a segurança da comunicação pode e deve ser reforçada para o benefício do edifício.

 

Bibliografia

http://www.ccontrols.com/pdf/ExtV1N1.pdf

http://www.novus.com.br/

http://www.bacnetinternational.org/