Como o Protocolo IP Pode Ajudar a Reduzir Custos no Seu Condomínio

Nesta época de crise, de mudanças na legislação trabalhista, buscam-se novas tecnologias para redução de custos e maiores controles. Neste cenário, recebi uma demanda de leitores sobre a possibilidade do uso da Internet e do protocolo IP para construção de uma solução de portaria virtual, ou seja, exclui-se a figura do porteiro local e cria-se uma posição remota onde um porteiro de uma empresa de vigilância terceirizada possa controlar até 5 condomínios simultaneamente. Obviamente isto deve reduzir muito o custo para os condomínios residenciais, sejam verticais ou horizontais. Não será considerada aqui a segurança física ou a operação do processo, uma vez que o intuito é discutir como a tecnologia IP e a Internet podem viabilizar este tipo de comunicação e controle.

Antes de propor uma ideia tecnológica, é importante entender o modo de operação de um condomínio simples sem tecnologia, com sistema de clausura e intertravamento:

  1. o porteiro identifica o morador e abre o primeiro portão, e neste caso o morador fica na clausura;
  2. o porteiro abre o segundo portão, que só pode ser aberto caso o primeiro portão esteja fechado (intertravamento), e o morador entra;
  3. o porteiro recebe um visitante e liga para a unidade que autoriza ou não a liberação da entrada; se houver liberação, o primeiro portão é aberto;
  4. o porteiro identifica o visitante por meio de RG, registra em livro e abre o segundo portão para o visitante entrar.

Um porteiro custa a um condomínio, dependendo da empresa, algo entre R$ 15.000,00 e R$ 20.000,00. Com a portaria virtual, este valor pode cair para algo entre R$ 6.000,00 e R$ 8.000,00. Obviamente toda a operação deve ser modificada, bem como o engajamento de todos os moradores, para se ter um nível de segurança aceitável, o que justifica a instalação apenas em condomínios de até 40 ou 50 unidades, ou seja, um porteiro virtual poderá atender até 250 unidades simultaneamente.

Como tratar a tecnologia IP neste cenário? Ela acabou sendo uma alternativa fantástica, viável e de baixo custo para viabilizar este novo cenário que vem crescendo de forma exponencial no Brasil.

Características que posso afirmar em relação a rede IP, mais especificamente a Internet:

  • é uma rede que funciona muito bem;
  • de grande resiliência;
  • de alta capilaridade;
  • permite qualidade de serviço por meio de MPLS e mecanismos de QoS;
  • garante segurança por meio de aplicações baseadas em VPN (Redes Virtuais Privadas) e IPSec;
  • é de baixo custo.

Desta forma, vou redesenhar nosso modo de operação com vista ao mundo IP e a Internet.

Nesse cenário, tem-se:

  1. a portaria virtual, com um porteiro real mais um monitor para visualização das imagens da portaria de um condomínio, e o controle remoto para abertura e fechamento dos portões;
  2. um bom acesso à rede pública IP (concessionária ou provedores de serviço);
  3. um PABX IP para viabilizar o tráfego de voz sobre IP ou VoIP;
  4. um banco de FXS para interconectar os ramais analógicos sem a necessidade de alteração da infraestrutura do condomínio, o que inviabilizaria a instalação em um primeiro momento, ou seja, o banco de FXS faz a conversão de um ramal IP para um ramal analógico;
  5. um interfone IP;
  6. um NVR (Network Video Recorder) + câmeras IP para a visualização remota;
  7. um sistema de controle local para abertura de portões com acesso via Internet.

Pronto, está definido e vamos detalhar esta ideia.

A figura 1 apresenta um visitante chegando a um condomínio e acessando o interfone IP. Este interfone IP tem uma interface Ethernet, um endereço IP que está ligado a uma porta de um switch no interior do condomínio, que está registrado em um servidor SIP (PABX IP), também no interior do condomínio.

 

Fase 1 da comunicação - portaria virtual
Figura 1 – Fase 1 da comunicação

 

A portaria virtual entra em contato com o condômino, figura 2,  via SIP (protocolo de sinalização de voz), controlado pelo PABX IP  e transporte da voz codificada com compressão por meio de codificadores como o G.729 de boa qualidade, que autoriza ou não a entrada desse visitante.

Todas as chamadas ficam gravadas no PABX IP e o acesso só é feito com a liberação do morador.

 

Fase 2 da comunicação - portaria virtual
Figura 2 – Fase 2 da comunicação

 

A portaria virtual retorna o acesso ao visitante, figura 3, ou prestador com acesso positivo ou negativo para sua entrada.

 

Fase 3 da comunicação - portaria virtual
Figura 3 – Fase 3 da comunicação

 

A portaria virtual habilita remotamente via Internet, figura 4, a entrada do visitante ou prestador de serviços por meio de portas com chaves magnéticas.

 

Fase 4 da comunicação - portaria virtual
Figura 4 – Fase 4 da comunicação

 

Finalizando a ideia, temos a figura 5 que retrata com mais detalhe como a tecnologia IP pode ajudar neste novo cenário que começa a ser desenhado.

 

Detalhe do sistema proposto - portaria virtual
Figura 5 – Detalhe do sistema proposto

 

No desenho da figura 5 tem-se um sistema com uma placa controladora de porta que pode ser acessado via Internet, com alimentação PoE (Power over Ethernet) para abertura de duas fechaduras magnéticas, com controle biométrico, para o caso de moradores e intertravamento.

Da mesma forma, em cada porta tem-se um conjunto de câmeras IP tipo HD (alta definição) com, no mínimo, 2 MP, ligadas a um switch ou às portas ethernet PoE do NVR. Boa parte dos equipamentos NVR possuem, ainda, entradas digitais que permitem monitorar os sistemas de cerca elétrica e infravermelho perimetral que irão notificar o porteiro remoto ou virtual.

Caso o visitante conheça a unidade, poderá chamar diretamente um condômino que também poderá habilitar o acesso ao visitante. Para maior segurança, os sinais das câmeras IP podem ser compartilhados na antena coletiva do condomínio, de modo que cada morador possa acompanhar este acesso da televisão da sua residência.

Como se trata de comunicação de voz, é importante contratar da operadora uma boa conexão à Internet com garantia de qualidade, no caso da voz e vídeo, segurança baseada em VPN IPSec com a utilização de caminhos baseados em rótulos ou MPLS do condomínio até a central de monitoração. Para garantir uma banda suficiente para transmissão de áudio e vídeo, sugere-se, no mínimo, um acesso com garantia de 8 Mbps considerando as imagens das câmeras de alta definição, do transporte de voz e controle de abertura dos portões.

Como o sistema fica muito dependente da Internet, sugere-se também a contratação de um segundo link de acesso à Internet de outra operadora, como segurança no caso da queda do primeiro link, na mesma taxa, e mecanismos automáticos no roteador no interior do condomínio como, por exemplo, o HSRP (Hot Standby Router Protocol).

 

Conclusão:

Há alguns anos, já se falava de redes convergentes, ou seja, todos os sistemas de comunicação, voz, vídeo ou dados, iriam convergir para o transporte via IP. Rapidamente esta ideia vem se concretizando em todos os meios, chegando com força ao controle residencial, condominial, predial comercial ou industrial.

Com a ampliação da comunicação via celular, novas tecnologias de controle de acesso vêm ganhando espaço, como o NFC (Near Field Communication) que representa um conjunto de padrões para comunicação por radiofrequência criado para transferência de dados entre o celular e outros equipamentos, conforme figura 6, que poderão também complementar nossa solução.

 

Acesso via NFC
Figura 6 – Acesso via NFC

 

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